


Ho aperto a caso una pagina di un vecchio vocabolario di portoghese: Diccionarios do povo. L’ho comprato due settimane or sono alla Feira da Ladra, tre euro per un dizionario che risale al 1920. Non vale un granché, manca la data e questo conta parecchio, il suo valore si riduce. Ora si trova sulla mia scrivania, aperto, forse con eccessiva imperizia vista la fragilità delle pagine. Ho trovato in questa pagina un piccolo tassello, grande come un coriandolo. Cerco di risalire alle sue origini, le poche parole che si possono leggere sono junc, jung, d ; girando il tassello posso leggere solo afug. La pagina dove ho trovato questo tassello ha una sua storia. Dovevo spiegare ad Arturo una caratteristica, prettamente umana, ma che poteva essere riconducibile ad una peculiarità di un animale: a raposa. Ignoravo appunto come potesse chiamarsi la volpe in portoghese, dovetti ricorrere alla classica favola della volpe e dell’uva. Arturo capì quello che gli stavo chiedendo e rispose: − O adjectivo que tu queres saber è manhôsa: que tem mânha. E a mânha é a destreza, o geito e também é um defeito difficil de vencer. A raposa é portanto manhôsa −
Era uma vez, na minha aldeia, que as cabras do meu pai, fizeram uma barulha incrível. Ainda não consigo perceber como eu deixasse o desejo de matar o cabritinho com as chifres e a cabrinha mais coitada mas bastante parva para ser agarrada e com força trazida no seu recinto. Eles tentaram, na maluqueira das suas cabeça, de fugir, mas é claro que eles não queriam ir-se embora para sempre, eles queria só comer as ervas do hortos e o milho do campo, agora só planta, mas é claro que o meu pai, podia dizer-me: Eu disse, tem coitado aos animais, dás eles para comer e para beber - Naquela altura quando este pensamento era actual, ainda não dei eles para beber, eles tiveram bastante água, aquele era o principal pensamento. Ma eles nunca falou-me da possibilidade que podia existir, o seja que o cabritinho e a cabritinha podia sair do seu recinto e saltar para o pomar com aquela graça que pertence a todas a criada - criada, o que? - Do deus - que palavra surreal! - Quer dizer e quer fazer ninguém pode adivinhar. Mas o meu pai podia dizer-me: São coisas que acontecem, não faz mal. Mas alguma vez a decisão do Pai são inconcebíveis, portanto também ele pode falhar. Já falhou muitas vezes. Consegui trazer todas as duas cabritinhas ao recinto, agora - quando o pensamento formou-se - eles têm para comer, para beber e para desaparecer da minha mente e também dos meus braços.
Anda me a cabeça à roda, espalhada no cinco cantos do mundo. Queria escrever uma narração fastidiosa e extensa, uma lengalenga. Portanto agora tenho só que pensar nisso, talvez podia escrever a história de um carbúnculo o seja um tumor gangrenoso e inflamatório que é também um rubi de grande brilho, mas não é isso que quero contar. “É só isso e só isso è posivel ganhar.
Deus não existe, portanto a minha posta é contra o nada.”
Martírio das onze mil virgens. Uma cuspideira em prata das humanas entranhas, perversão do ser para encher uma gorda barriga em feio coração. A melhor comida num corpo feminino que vive, nua criatura ao respirar o sopro no seio da terra.
Deitada sobre o branco interior dum negro libelo. A Baixa e a sua luz, a nudez brilharem no dia que anoitece o instinto: possuir a feminina cidade no luar invernal.
Não são mentiras, são todas apostas que têm que fazer-se. A grande aposta contra deus: conseguir do ser feliz.
Ao lado de Fernando Pessoa
Uma estátua Brônzea
Brônzeo olhar espalhado no vazio
Na interpretação de todo
Para um inexistente sentido
Noites encheram o vinho
em poucos sorrisos
em poucos abraços
Só palavras fracas:
o que eu sou e
o que eu não sou
Na noite só brônzeos dedos
a bater o tempo na eternidade
a espera de uma palavra proferida
Um sò copo de vinho,
apesar do sorriso naufrago
no vasto oceano das palavras
desembocados sobre uma deserta
ilha, nunca conhecida, onde
terras e aguas afastam,
afogarmos no nada eterno
ignaros do ser escravo
e patrão no mesmo tempo.